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Diferenças entre Vegano x Vegetariano e outras dietas

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É crescente o número de pessoas que vem se tornando adepta das dietas vegetarianas seja pela questão da saúde e dos benefícios dessas dietas, seja pela consciência sobre o sofrimento animal no abate ou em testes de produtos, ou mesmo pelo espaço aberto pela mídia sobre essas questões. Entenda cada uma delas, suas diferenças e a diferença das diversas nomenclaturas dadas a dietas com restrições de grupos alimentares.

VEGANO – Um Estilo de Vida

Quando falamos em vegano, estamos falando de um estilo de vida, não somente de hábitos alimentares, ou seja, o vegano além de não comer nenhum produto de origem animal, não consome nenhum produto seja de higiene, vestuário, cosmético, remédio que tenha origem animal ou mesmo testado em animais.

O movimento vem crescendo em todo o mundo, e de uma forma direta, é uma pessoa que pratica o veganismo em todas as suas ações, seja na alimentação ou não. Ele é vegetariano estrito em sua dieta e também não utiliza produtos de origem animal. Na definição da The Vegan Society, o vegano “busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais”. O veganismo é, em suma, um movimento que busca a libertação animal em todas as frentes possíveis, incluindo mercado, alimentação, trabalho forçado e entretenimento.

Os veganos não utilizam por exemplo um casaco feito com pele de animais, lã, corantes feitos com insetos, ou um cosmético feito com um óleo animal, ou adquirem uma joia feita com dentes de animais, ou fazem uso de medicamentos testados em animais, ou mesmo remédios feitos a partir de veneno animal. Alguns deixam de assistir filmes onde sejam usados animais adestrados, caça, frequentar circos e outros lugares como zoológicos. Existem empresas e sociedades especializadas em certificar produtos para uso vegano, que garantem que todo o processo produtivo é isento de qualquer sofrimento ou produto originário de animal.

Engana-se quem acha que as comidas são sem graça, existem centenas de restaurantes e opções saudáveis feitas somente com produtos de origem vegetal, além de grupos destinados as chamadas “Junkie Food” que são alimentos divertidos e totalmente feito de vegetais.

Dietas Vegetarianas e Suas Variações

Quando falamos exclusivamente em alimentação, as dietas vegetarianas são diferentes de acordo com a opção de cada um, quanto a restrição de determinados grupos alimentares. são eles:

Vegetariano Estrito: é a dieta onde são excluídos todos os produtos de origem animal, ou seja, só são ingeridos alimentos de origem vegetal, o que inclui corantes e saborizantes, e alguns incluem a restrição a produtos geneticamente modificados (Transgênicos). Esta é a alimentação praticada por veganos.

-Ovo-Lacto Vegetariano: são restritos a produtos vegetais, porém, aceitam o consumo de ovos, leites, mel e outros derivados animais que não levam a morte o animal que os produz.

– Ovo-Vegetariano e Lacto-Vegetariano: Respectivamente, os primeiros aceitam o consumo de ovos, e o segundo de leites, porém somente de um ou do outro grupo, não os dois.

-Vegetariano Clássico: é uma dieta onde são excluídos todos os produtos de origem animal, porém, são aceitos todos os produtos de origem vegetal. Alguns aceitam o uso de corantes naturais, que geralmente são provenientes de frutos do mar e de insetos; além de aceitarem o uso de produtos transgênicos vegetais, e saborizantes feitos a partir de produtos animais.

– Dieta Flexitariana: feita por pessoas que estão cortando a ingestão de carne, mas ainda comem em alguns casos. Também é considerado aquele que não come outros tipos de carne, porém consome peixe. Embora às vezes considerados vegetarianos, os flexitarianos comem carne animal ocasionalmente. Portanto, eles tecnicamente não se enquadram na definição de vegetarianismo.

Outras Dietas Com Restrição Alimentar

Não só restrições a carne animal fazem parte de dietas e de grupos alimentares, algumas opções de dietas que visam mais o corpo, podem restringir somente carnes vermelhas, mais toleram peixes, outros se alimentam somente de alimentos crus, ou com propriedades específicas, conheça algumas delas:

Raw Food

Ou CRUDIVORISMO é o consumo somente de alimentos “In Natura” ou seja, sem cozimento ou processamento industrial. É uma dieta que visa preservar os micronutrientes e enzimas dos alimentos, que são perdidas em processos de cocção a altas temperaturas (acima de 46ºC). Alguns aceitam a desidratação do alimento (retirada da água) para conservação como ocorre com grãos e que pode ocorrer em frutas e legumes.

Muitos dos que decidem seguir uma dieta crua, optam também por uma dieta vegetariana, composta principalmente de frutas, legumes, nozes, sementes, grãos e legumes germinados, alimentos fermentados, superalimentos e vegetais do mar, evitando todos os produtos de origem animal.

Mas há ainda os que preferem se alimentar de leites crus de animais ou iogurtes e queijos cultivados, havendo também uma corrente que defende o consumo de carne crua (claro que com os devidos cuidados para evitar infecções bacterianas).

A maioria dos adeptos dessas dietas visam a saúde, já que estudos mostram que este tipo de dieta é bom para o coração pois é basicamente composta por frutas e verduras, e pelo fato de alimentos como oleoginosas e castanhas e grãos germinados podem melhorar os níveis de colesterol e reduzir os riscos de doenças cardíacas. Outra doença que encontra nos alimentos crus um aliado no tratamento é o diabetes, pois é uma dieta rica em fibras e com baixos índices de açúcar e de alimentos processados.

Outro grande beneficio das dietas cruas é a perda e manutenção do peso, pois possuem menos gorduras e altos índices de fibras que ajudam a manter o bom funcionamento do intestino, além de se restringirem ao açúcar proveniente do próprio alimento já praticamente todos os açúcares precisam de processos e calor para serem isolados. Além de serem benéficas para pessoas com problemas intestinais e estomacais.

Alimentação Kosher ou Kasher

Baseado nas regras escritas no TORA o livro sagrado dos judeus, a dieta restringe alguns alimentos e permite outros, e possui uma regra rígida sobre a preparação e a origem dos alimentos. As regras foram criadas em busca de uma alimentação mais pura e que nutra o corpo e a alma.

Para ser considerado Kosher, o alimento precisa respeitar uma série de regras rígidas durante a produção e o preparo, além de ser fiscalizado por um órgão especializado.

Não é uma dieta vegetariana, mas o consumo de carne deve seguir uma série de regras tanto na produção quanto no preparo dos pratos. Além disso, a carne não pode ser misturada em nenhum momento com leite e derivados, nem durante o armazenamento. Para ser permitida nessa dieta, a carne deve ser oriunda de um animal ruminante, por isso, coelhos e porcos não estão incluídos. Aves como frango, peru, ganso e pato também são aceitas, mas as de rapina – ou seja, que se alimentam de outros animais – não são permitidas. Já os peixes, são permitidos apenas os que possuem escamas e barbatanas, enquanto crustáceos e moluscos são vetados desse tipo de alimentação. Além disso, o animal não pode sofrer ao morrer e o seu sangue não pode ser consumido, então é necessário lavar bem a carne antes de prepará-la.

Os alimentos que têm o consumo sem restrições são chamados de parve e são todos aqueles que crescem na terra, como frutas, vegetais e cereais. Os ovos também são considerados parve e podem ser consumidos com carnes e laticínios.

Por que pessoas que não são judias têm adotado dietas Kosher? Recentemente, muitas pessoas que não são da comunidade judaica têm adotado uma alimentação Kosher, especialmente vegetarianos e veganos. Muitos fazem essa opção para garantir que os alimentos que consomem não estão contaminados com carnes ou outros produtos de origem animal. Outros adotam essa dieta em busca de uma alimentação mais saudável, já que assim é possível saber a procedência da comida – já que as rígidas vistorias dos órgãos Kosher são uma garantia a mais da qualidade do alimento. Os alimentos certificados também são menos suscetíveis a contaminações e contém menos agrotóxicos e conservantes.

Dieta Orgânica e Natural

É a restrição ao consumo de produtos alimentícios e cosméticos que usem agrotóxicos e derivados de petróleo em sua composição, bem como alimentos geneticamente modificados e com uso de edulcorantes (saborizantes artificiais) e corantes sintéticos.

É uma dieta que visa basicamente melhores hábitos para a saúde, já que os agrotóxicos, pesticidas e hormônios e vacinas usados nas produções industriais e na agricultura tradicional deixam resíduos que segundo os adeptos fazem muito mal a saúde. Causando doenças como câncer e outras mutações genéticas, além de que animais produzidos utilizando estes agentes causam transtornos genéticos e hormonais em seres humanos e são agentes causadores de males como ansiedade, transtornos de personalidade, entre outros.

Conheça abaixo bons motivos para apostar na alimentação orgânica:
-São mais saborosos;
-Além de serem mais saborosos, concentram uma grande quantidade de nutrientes, ou seja, possuem mais vitaminas e minerais do que os alimentos não orgânicos – o que é excelente para nosso organismo e nossa saúde;
-O consumo de alimentos orgânicos pode diminuir infecções, doenças, gripes;
-Os alimentos orgânicos podem dar mais disposição;
-Para quem quer aliviar o corpo das toxinas – que hoje em dia estamos tão expostos devido à quantidade de produtos industrializados –, os orgânicos são uma ótima pedida para desintoxicação.

Dieta Adventista (naturalista)

  1. Apresente sempre frutas de boa qualidade e em abundância (especialmente no desjejum e jantar), assim como variedade de saladas cruas e verduras.
  2. Se utilizar Iogurte, prefira o Iogurte Natural (sem conservantes, corantes ou sabor artificial). Para dar sabor, bata com frutas naturais.
  3. Sempre que possível, substitua os queijos por tofú (queijo de soja). Caso utilize produtos lácteos, procure apresentar opções com queijo fresco (tipo frescal, ricota ou cotage, com a opção de magros ou desnatados), por ser mais saudável.
  4. Prefira sempre que possível produtos integrais e naturais em lugar dos refinados e industrializados (veja item 13). Apresente, por exemplo, opções de Pão integral, granolas, arroz integral, aveia, triguilho (farinha de quibe), sal não refinado e açúcar mascavo.
  5. Sempre que possível, opte pelos fermentos biológicos em lugar dos químicos. Evite o bicarbonato de sódio.
  6. Apresente sucos naturais, sem aditivos químicos ou conservantes, em lugar dos sucos em pó, dos reconstituídos, dos refrescos artificiais (líquidos ou em pó) ou mesmo refrigerantes. Pode-se até utilizar, por exemplo, o suco de uva natural industrializado ou outro suco natural industrializado de boa qualidade, desde que sem conservantes, corantes ou outros aditivos químicos ou naturais (verifique os rótulos).
  7. Evite as gelatinas de origem animal (praticamente todas contém produtos de origem suína). Prefira agar-agar ou gelatina de algas.
  8. Apresente alimentos crus, cozidos, assados ou grelhados. Não utilize frituras.
  9. Apresente apenas três refeições diárias, sendo que a última (jantar), deve ser leve e servida o mais cedo possível. Tanto no desjejum quanto no “jantar”, sirva frutas em abundância. Siga a antiga orientação: “Tome o seu desjejum sozinho, reparta o almoço com seu melhor amigo, e entregue o jantar [tradicional] para o pior inimigo.”
  10. Evite completamente “coffee-brakes”, ou outro qualquer tipo de alimento entre as refeições.
  11. Utilize o mínimo de gordura (mesmo a de origem vegetal) no preparo dos alimentos cozidos ou assados. Não utilize de forma alguma gordura de origem animal (como manteiga ou banha, por exemplo). Alimentos industrializados cujo rótulo apresentar o item “gordura animal” certamente contém banha. Manteigas, margarinas e a gordura vegetal hidrogenada também devem ser evitadas ou utilizadas com extrema moderação. Prefira os óleos vegetais simples, como o Azeite de Oliva, Milho e Girassol.
  12. Ao preparar os alimentos, procure evitar a abundância tanto de sal quanto de açúcar. O mel pode ser uma opção saudável para adoçar. Outras opções para adoçar podem ser o açúcar mascavo, açúcar demerara, frutose e frutas secas (uvas passas, tâmaras, ameixa, banana, por exemplo). Prefira o sal não refinado, e mesmo assim nas menores quantidades possíveis, sem que, contudo, o alimento apresentado perca o sabor.
  13. Sempre que possível, prefira apresentar alimentos com ingredientes naturais, que são normalmente obtidos da natureza e preparados na própria cozinha, sem a adição de produtos químicos manufaturados. Já os alimentos industrializados geralmente contém conservantes, “melhoradores”, corantes, acidulantes, gordura vegetal hidrogenada e outros aditivos químicos que geralmente são prejudiciais. Se você apresentar algum alimento industrializado, certifique-se de que é realmente saudável (leia antes os rótulos).
  14. Evite também os aditivos químicos que apesar de intensificarem o sabor dos alimentos, podem ser bastante prejudiciais (caldos, glutamato monossódico, etc.). Normalmente contém, glutamato monossódico, especiarias e condimentos nocivos, gordura hidrogenada, além de outros produtos químicos impróprios para o consumo.
  15. Apresente opções de alimentos e saladas sem temperos fortes e condimentos estimulantes e/ou nocivos, como pimenta, noz-moscada, mostarda ou mesmo vinagre de qualquer tipo (mesmo o balsâmico ou de maçã). Nas saladas, substitua estes últimos pelo molho de iogurte ou por temperos simples como limão, sal, azeite de oliva, cheiro verde, alho e cebola.
  16. Não sirva de modo algum bebidas alcoólicas, cerveja (mesmo sem álcool), refrigerantes (especialmente os cafeinados), café (e outros cafeinados), chá preto, chá verde, chá branco, chimarrão (chá de erva-mate) ou assemelhados. Os achocolatados devem ser evitados e tanto eles quanto o café podem ser substituídos, se necessário, pela Cevada Solúvel (ou café de cevada ou milho) ou ainda a alfarroba (carob).
  17. Evite apresentar alimentos (ou sobremesas) que contenham leite de vaca, açúcar e ovos juntos em uma mesma receita. Procure substituir o leite de vaca por leites de origem vegetal (de soja, aveia, castanha, etc.). Se isto for impossível, prefira a utilização de leite desnatado. Se utilizar ovos, prefira sempre os caipiras.
  18. Sobremesas: apresente frutas in natura ou assadas, saladas de frutas, cremes de frutas, bolos e tortas integrais ou pavês simples de frutas. Evite sorvetes tradicionais (substitua pelo sorbet ou smoothies de frutas), evite pudins e sobremesas complicadas (veja item anterior).

* Utiliza-se leite e ovos com moderação, mas evita-se carnes, aves, peixes ou frutos do mar.

Outras Considerações

Além destas, temos uma infinidade de outras baseadas em crenças e em costumes, como a dieta PALEO, que visa uma alimentação primitiva, rica em carnes frutas e legumes, e que restringe os horários e o numero de refeições (jejum).

Dietas baseadas em combinações de grupos alimentares, que visam somente a perda de peso e não a saúde ou outras manutenções cotidianas e que são impraticáveis para a vida, sendo restritas somente a períodos como manutenção do peso. Sendo consideradas dietas de moda, que devem ser acompanhadas de perto por um médico ou nutricionista.

Dietas com restrição de elementos como lactose, açúcares, glúten, gorduras, proteínas que servem para manutenção do peso, alergias e intolerâncias agudas ou crônicas, que para pessoas sem essas restrições não surtem efeitos ou grandes alterações. Estas ultimas não entramos em detalhe por não ser o foco deste artigo específico.

Seja por motivos religiosos, por motivos étnicos, por respeito aos animais, por questões pessoais, por restrições médicas ou pela busca por um corpo saudável devemos ter em mente que “SOMOS O QUE COMEMOS” e há cerca de 2500 anos, Hipócrates, acrescentou ainda, “que o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento”. Porém, numa sociedade onde se vive agitado e atrasado para tudo, assiste-se a uma situação contrária, no que respeita à alimentação. Atualmente procuramos a Alimentação, como substrato energético e, caiu no esquecimento o seu papel nutritivo e preventor. Basta, recordarmos as palavras dos nossos avós, “deves comer espinafres, pois eles te darão força”, “come uma cenoura, que faz os olhos bonitos”, entre outros.

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