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Produtos verdes – O que são?

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O termo “produto verde” e a promessa de produtos “amigos do ambiente” generalizam-se. Mas afinal de que é que falamos quando utilizamos estes termos? O que são produtos verdes e como é que eles se diferenciam dos demais? Que critérios devem ser respeitados aquando do seu desenvolvimento e comercialização? Que mais-valias têm para o consumidor final?

Desde as últimas décadas que temos vindo a assistir ao aumento da oferta de produtos verdes, um fenômeno que começou a ocorrer com maior intensidade a partir do início dos anos 90, com diversos produtos ecologicamente corretos sendo lançados nos EUA. Apareceram empresas que criavam todo o tipo de produtos biodegradáveis, que não agridem o meio ambiente, com processos de produção não destrutivos, o conceito foi evoluindo a cada dia, até atingir o estado atual, onde existem leis para obrigar a industria a manter níveis de poluição, compensar a poluição produzida com outras medidas ambientais, utilizar técnicas extrativistas sustentáveis entre outros.

Definir o que é um produto verde ou ecologicamente correto não é tarefa fácil, pois ainda não existem métodos comprovados capazes de medir eficazmente o impacto ambiental de um produto em relação a outro. Assim, procura-se denominar como “verdes” os produtos que causem menos impacto ao meio ambiente do que seus alternativos. Ou seja, um produto verde é aquele cujo desempenho ambiental e social é significativamente melhor do que as correspondentes ofertas convencionais ou concorrenciais.

Um produto ecológico deve ser concebido para satisfazer as necessidades de preservação ambiental de consumidores preocupados com esta questão, tendo em conta, contudo, de que esta é uma necessidade secundária destes consumidores. Isto é, os consumidores compram os produtos para satisfazerem as necessidades para as quais foram designados e a característica de não agressão ao meio ambiente pode funcionar como uma ampliação deste produto, extrapolando as expectativas dos consumidores.

No entanto, é preciso salvaguardar que não existem produtos totalmente ecológicos, visto que o desenvolvimento e a produção de qualquer produto geram resíduos durante a sua fabricação, distribuição e durante o próprio consumo e também na fase em que o consumidor se desfaz, produzindo lixo. Basicamente existem quatro dimensões que devem ser consideradas para o adequado processo e desenvolvimento de produtos ecologicamente corretos, são elas aquisição e processamento de matéria-prima; produção e distribuição; uso de produto e embalagem; descartabilidade.

Para que os produtos se tornem menos nocivos para o ambiente, todas as áreas operacionais necessitam considerar todo o impacto ambiental da atividade empresarial ao longo do ciclo de vida do produto bem como do seu ciclo de consumo. O ciclo de vida que um produto verde deverá incorporar, a extração da matéria prima para sua fabricação que deve ocorrer de maneira reutilizável, sem degradar o meio ambiente, o process de fabricação sem agressão e poluição e a compensação dos níveis de poluição através de outras medidas ambientais, a utilização do produto pelo consumidor a reutilização das embalagens e o uso de materiais recicláveis, o descarte após o uso do produto, sendo que um dos elementos fundamentais prende-se com o fim de vida que deve contemplar a sua reutilização, re-fabricação ou reciclagem. É importante também lembrar que todas estas etapas deverão ser equacionadas antes da concepção do produto de forma a minimizar todo o impacto ambiental posterior.

Apesar das constatações sugerirem que a sociedade está se tornando cada vez mais simpatizante com o uso de produtos amigos do ambiente, é preciso e necessário que as empresas atuem com prudência, assegurando seu posicionamento e reivindicando a capacidade de provar cientificamente, a sustentabilidade dos seus produtos e de todos os seus processos, em particular o destaque para a análise do ciclo de vida completo do produto, desde sua produção até o seu descarte.

Os principais produtos verdes, que encontramos no mercado hoje, são os equipamentos eletrônicos, que geralmente apresentam uma tecnologia tão boa quanto a de aparelhos comuns, mas com um extra, economizam energia e são feitos de materiais menos nocivos à natureza. Mas, não só de eletrônicos verdes, é que devemos nos preocupar, produtos como produtos de limpeza atualmente existem diversas opções de limpadores que não usam nenhum tipo de solvente, que podem até mesmo serem descartados no ralo de casa, pois não agridem em nada o meio ambiente. Tecidos com corantes naturais, e fibras naturais que são sustentáveis e provenientes de agricultura orgânica.

Quais os erros mais comuns com os produtos verdes?

I) Sugerir que o produto seja verde por ter um atributo complementar positivo, mesmo não tendo todos os atributos essenciais. Exemplo: detergente que tem a embalagem reciclada, mas agride a saúde;

II) Sugerir que o produto atende a determinados atributos que não têm comprovação de fácil acesso ou confirmado por terceira parte. Exemplo: tintas ditas “sem cheiro”, mas que não têm comprovação de cumprimento de limites de COV por laboratório credenciado;

III) Sugerir que o produto seja verde por meio de informação imprecisa. Exemplo: garrafa divulgada como tendo a embalagem “100% reciclada”, mas com tampa produzida com material virgem;

IV) Informar ao consumidor atributo irrelevante ou suplementar como se contribuíssem para torná-lo verde. Exemplo: divulgar como diferencial isenção de compostos já proibidos e induzir que a compensação de carbono torna o produto verde;

V) Gerar diferenciais do tipo “dos males o menor”. Exemplos: briquetes vendidos como ecológicos, de sobras industriais de madeiras de origem não confirmada como legal ou detergente dito biodegradável, mas sem salubridade;

VI) Confundir o consumidor com informações falsas ou inconsistentes. Exemplos: produto que consome menos X % de energia, sem definir qual a referência, produto vinculado ao atributo de “reciclável” com a presença de componentes acidentais na composição do produto que limitam ou inviabilizam a sua reciclagem ou uma bacia sanitária propagada como “ecológica” ao invés de “eficiente”, pelo menor consumo de água;

VII) Confundir o consumidor com Selos próprios ou de terceiros sem consistência. Exemplo: autodeclaração de ecológico, “auto-selo”, selos emitidos por lojas, sem critérios, Declaração por terceiros sem consistência.

Os profissionais de publicidade, marketing e vendas precisam se assegurar de que suas campanhas sejam percebidas pelos consumidores com alto grau de ética e consistência. Isso levará a maior respeito pela empresa, valorizando sua marca e fidelizando clientes.

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